O 7 de Setembro passou há cinco dias.
Nenhum problema.
O desfile de Ibirajá também passou.
Só que já faz bem mais tempo.
Enquanto o calendário seguiu normalmente, uma tradição que durante anos movimentou escolas, estudantes, professores, famílias e as ruas do distrito simplesmente foi ficando para trás.
Sem anúncio.
Sem despedida.
Sem sequer sabermos exatamente qual foi o último capítulo.
Por isso, talvez publicar esta reflexão no dia 12 seja até mais apropriado do que publicá-la no dia 7.
Porque, depois que a data passa, sobra a pergunta que ninguém parece ter respondido:
afinal, como conseguimos deixar o tradicional desfile de 7 de Setembro de Ibirajá virar apenas uma lembrança?
Houve um tempo em que o 7 de Setembro em Ibirajá não era apenas mais um feriado marcado em vermelho no calendário.
Era dia de acordar cedo. De criança vestir uniforme impecável. De professor organizar apresentação. De pais, mães e avós ocuparem as calçadas. Era dia de música, apresentações, patriotismo e de ver as escolas tomando as ruas do distrito.
EDUPROCAMES, Nossa Senhora da Penha, Sady Teixeira e João Farias Pires fizeram parte de uma época em que o 7 de Setembro era aguardado pela comunidade.
As escolas não eram apenas participantes.
Eram protagonistas de uma tradição que marcou gerações.
Hoje, porém, ficou uma pergunta:
de quem é a culpa pelo fim dessa tradição?
Talvez a resposta mais conveniente seja: de ninguém.
Ninguém anunciou oficialmente o fim.
Ninguém colocou uma placa dizendo: “A partir de agora, Ibirajá não terá mais desfile de 7 de Setembro”.
A tradição apenas deixou de acontecer.
Um ano passou.
Depois outro.
Depois mais outro.
E aquilo que parecia fazer parte naturalmente do calendário do distrito acabou virando lembrança.
Seria injusto colocar sobre as escolas ou sobre seus gestores a responsabilidade pelo desaparecimento de uma tradição desse tamanho.
Durante muitos anos, foram justamente professores, funcionários e alunos que deram vida ao desfile.
Organizar um evento desse porte, no entanto, vai muito além dos muros de uma escola.
É preciso planejamento.
Estrutura.
Apoio.
Segurança.
Logística.
Recursos.
E, acima de tudo, articulação entre diferentes setores.
Talvez seja justamente aí que esteja a verdadeira questão.
Em algum momento faltou continuidade.
O desfile deixou de ser tratado como uma tradição que precisava ser preservada ano após ano.
E quando não existe uma política de continuidade, aquilo que depende apenas da boa vontade de algumas pessoas acaba ficando vulnerável.
Um gestor muda.
Uma prioridade muda.
Um ano não acontece.
No outro também não.
E pronto.
Aquilo que durante décadas parecia impossível de desaparecer simplesmente desaparece.
Então surge a pergunta inevitável:
preservar as tradições dos distritos não deveria também fazer parte das prioridades do poder público?
Não estamos falando apenas de colocar alunos marchando pelas ruas.
Estamos falando de memória.
De identidade.
De pertencimento.
Muitos moradores de Ibirajá guardam lembranças daqueles desfiles.
Do uniforme preparado dias antes.
Dos ensaios.
Das apresentações.
Da expectativa para entrar na avenida Oscar Cardoso.
Das famílias acompanhando das calçadas.
Dos professores dedicando tempo para que tudo acontecesse.
As escolas cumpriram, durante muitos anos, um papel fundamental nessa história.
Talvez agora precisem justamente do contrário de cobranças:
precisam de apoio para que essa tradição possa voltar.
E a comunidade também precisa participar desse debate.
Porque tradição não se preserva sozinha.
É preciso cobrar.
Perguntar.
Incentivar.
Mostrar que aquilo ainda importa.
Talvez, portanto, a pergunta “de quem é a culpa?” nem tenha uma resposta única.
Mas existe outra pergunta que pode ser muito mais importante:
de quem será o mérito de trazer o desfile de volta?
Da Prefeitura?
Da Secretaria de Educação?
Das escolas?
Da comunidade?
Por que não de todos juntos?
Ibirajá não precisa ficar eternamente lembrando de quando tinha desfile de 7 de Setembro.
A tradição pode voltar.
Talvez com um formato diferente.
Talvez adaptada aos novos tempos.
Mas mantendo aquilo que sempre foi mais importante: reunir a comunidade e fazer com que as novas gerações também construam suas próprias lembranças.
Porque hoje os antigos desfiles continuam acontecendo apenas em um lugar:
Na memória de quem viveu aquela época.
E esse talvez seja o maior alerta.
Porque, quando os últimos que se lembram deixarem de contar essa história, não teremos perdido apenas um desfile.
Teremos perdido um pedaço de Ibirajá.
Por Ibirajá News.
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